quarta-feira, 6 de março de 2013

Peregrinação pela Meca do Jainismo - Palitana

Seguidores e Seguidoras,


Hoje foi um dia de uma aventura e tanto. Visitar a Meca Mundial da religião Jainista, na cidade de Palitana. Acordamos às 4 e meia da manhã, um café rápido e partimos desde Bhavnagar para Palitana, cerca de 55 km de distância. Por volta das 6 h já estávamos na entrada da longa subida que teríamos que fazer para alcançar os cerca de 1008 templos jainistas, no topo da montanha. Do nível do mar, onde estávamos, teríamos que subir radicalmente por uma escadaria com mais de 4000 degraus, intercalados com algumas áreas só de calçamento para, 2 100 m acima, alcançar o local sagrado dos jainistas e sua profusão de templos. Por tudo isso, é aconselhável começar a subida bem cedo, porque com o sol a pino é quase impossível chegar lá.

Palitana é um estado principado fundado em 1194. Em 1656, o filho de Shahjahan, Murad Baksh(então governador de Gujarat) concedeu a vila de Palitana ao proeminente mercador Jain Shantidas Jhaveri. Palitana é mais famosa hoje devido aos templos Jains localizados no Monte Shatrunjaya, considerado como o local mais santo ou a Meca do Jainismo. Como cidade templo foi construída para ser um adobe para o divino, não é permitido a ninguém passar a noite no local, nem os monges. Dizem que nesse período, os espíritos dos profetas janistas circulam pelo local. 

Para alcançar a Nirvana ou a Salvação, os jainistas acreditam que devem visitar ao menos uma vez na vida esse grupo de templos. Encontramos e batemos papo com alguns deles, inclusive um monge americano vindo de Huston, no Texas. Existem nessas colinas, aproximadamente 1008 templos esculpidos em mármore. Conta-se que 23 Tirthakaras (um ser humano que ajuda a alcançar a liberação e a iluminação), exceto Neminath (uma alma liberada que destruiu todos os seus carmas), santificaram os templos das colinas com suas visitas. O templo principal é dedicado ao Rishabji, o primeiro Tirthankara, é o santuário mais sagrado para a seita Jain Svetambara Murtipujaka que adora as imagens de deuses. A seita Digambara do Jainismo tem somente um templo no local.

A subida é estafante e requer um pouco de preparo físico para não desistir na metade que, diga-se, não chega nunca. Conseguimos alcançar o topo do monte sem maiores problemas já que, como dito, começou antes do nascer do sol que nasceu no curso da subida. Quem não tem condições, sobe num cadeira carregada por dois ou quatro carredores ao preço médio de 200 dólares.

A subida valeu a pena. Uma profusão de templos de mármore, ricamente decorados, tanto no seu interior, como no seu exterior. São templos típicos, de todos os tamanhos, proporcional à fortuna do construtor, com um espaço reservado para a imagem do profeta e de seus discípulos e onde só os monges podem ingressar, e uma área externa, onde os fiéis fazem suas orações e  recebem bençãos.

Caminhamos por todo o complexo, recebendo as informações do nosso guia, o Jaideep. As orações dos peregrinos e os gritos dos monges anunciando as doações feitas, ecoam sempre por entre o labirinto de templos.

Curtida adequadamente esta maravilha cultural e religiosa, começamos a descida. Importa dizer que, do alto se tem uma visão privilegiada do golfo do Cambay e de um vale profundo e a perder de vista, tomado pela agricultura. A descida, por incrível que possa parecer, foi mais difícil que a subida, já que o sol abrasador já estava alto e os joelhos, tornozelos e panturrilhas são mais castigados. Muita água e frutas que levamos conosco, amenizou tanto a subida íngreme como a descida. A blogueira, com sua pele branca, foi alvo de atenção e adoração por parte de todos que por ela passavam. Sem contar, as inúmeras fotos que teve que tirar com aqueles que educadamente pediam. Um show. A visita a este lugar ímpar, sem dúvida, é imperdível para quem por aqui passar.

As aventuras do dia, porém, ainda  não haviam terminado.

Feita a descida, pegamos a estrada, que nesta região, são melhores e duplicadas, para onde iríamos nos hospedar esta noite, no Royal Oasis Hotel, um palácio de um antigo marajá, que ainda mora na cidade de Wankaner, local do hotel. Ao chegarmos na cidade, 250 kms depois, nos dirigimos para o referido hotel, que fica na periferia. Transpusemos os portões do castelo hotel e percebemos os jardins todos abandonados. Na entrada, se acercaram de nós, serviçais muito mal vestidos e de aparência muito simples. Para um cinco estrelas, tal não combinava. Quando entramos no prédio, não havia recepção. Subimos uma escada de madeira e adentramos um corredor com manchas de goteiras, cadeiras com assento furado, tapetes apodrecidos e chegamos na nossa suite. Própria para filmes de terror. Tudo velho, empoeirado e mal cuidado, dando a impressão de que o local tinha sido abandonado há anos e, só naquele dia reaberto para nos receber. O banheiro passava a impressão que não recebia uma limpeza há século, com tudo enferrujado. Resultado. Olhamos para o nosso guia e dissemos que ali não ficaríamos de jeito nenhum, apesar da reserva feita. Ele concordou conosco, ligou para a agência que nos serve aqui na Índia a qual prontamente atendeu o nosso pleito e fez uma reserva no excelente e novíssimo Hotel Ista, em Ahmedabad, cidade para a qual só viríamos amanhã. Tudo solucionado, mais 200 km de entrada(muita agricultura, antílopes, camelos...) e aqui estamos na cidade indiana, Capital do Gujarat, de Ahmedabad, que nos pareceu ser a mais limpa e organizada que conhecemos até aqui. Aqui, muitas coisas interessantes nos esperam.

Por fim, em reposta a comentário dos nossos mais assíduos comentaristas e caronistas deste blog, nossos Amigos Brandão e Eloísa, cumpre dizer que a comida típica, que o guia não aconselhou mas a blogueira ainda assim comeu, consistia de uma massa frita, bem sequinha e não gordurosa, para comer com uma pasta de espinafre, salsa, e outros condimentos masserados  com sal e azeite e outra com cebola, pimentão e Curry. Ela adorou e exagerou. Thanks god, que sobreviveu. Amanhã tem mais. Beijos a todos. Narcísio e Dirlei.

Visão do alto, dos templos Jainistas, com o templo principal ao fundo

Amostras dos corredores ricamente decorados e alguns templos

Visão de alguns dos templos jainistas 


A subida íngreme dos fiéis vestidos tipicamente

Imagem das escadarias com os carregadores de pessoas

O primeiro templo,  no início da subida

Visão da cidade de Palitana, desde a metade da subida

A primeira visão, da cidade templo, no alto da montanha

Um pausa na subida para uma foto do guia Jaideep e da blogueira

Mais uma visão da subida

Idem

Os blogueiros, na escadaria(subindo)

Visão dos templos jainistas

Idem

Idem

Idem

Decoração, com elefante de marfim, de um dos templos

Magnífica visão do interior de um dos templos


Os blogueiros, na entrada da cidade/templo

Visão completa de um dos templos


O profeta e seus discípulos, decoração de uma templo jainista

Maravilha da arquitetura dos templos

As cúpulas de alguns templos

Visão da parte mais alta da cidade/templo


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