quarta-feira, 29 de junho de 2011

Balanço da viagem à Escandinávia

Seguidores e Seguidoras,

Hoje é o último dia da viagem. Dia, portanto, de fazer um balanço das coisas positivas e negativas que vimos nos quatro países da Escandinávia, mesmo porque, muito dos nossos seguidores tiram dicas daqui para suas futuras viagens. Ademais, viajamos de carro, por nossa conta e risco, para conhecer países na sua plenitude e não apenas alguns pontos turísticos muitas vezes maquiados ao gosto do turista.

Como já havíamos feito quando fomos de Gotemburgo a Estocolmo, quando cruzamos a Suécia pelo norte, hoje saímos da ilha de Öland e cruzamos o país pelo seu litoral sul, num dia de pleno sol e céu azul. Muito verde das matas e da agricultura, muitas vezes enfeitadas com usinas de energia eólica bem no meio das vastas plantações, dando um toque especial à paisagem além de mostrar que o país está preocupado com a produção de energia limpa. De quando em vez, através das matas, conseguíamos ver o mar. Uma viagem tranquila até que chegamos em Malmö para cruzar a bela ponte que liga a Suécia à Dinamarca. Hoje iniciamos a travessia começando pela ponte para, depois, incrivelmente mergulhar no mar para o túnel na parte final da travessia. Uma obra magnífica de engenharia e arte. No meio da tarde chegamos ao hotel Hilton, que fica encostado no aeroporto de Copenhagen, inclusive com uma passarela que o liga aos terminais. Além disso, do hotel podemos ver o prédio onde devolveremos o carro à Avis. Apesar de caro, é uma sugestão para aqueles que por aqui viajam e pretendam retornar por Copenhagen.

Pois bem. É hora do balanço da viagem. Como dito anteriormente, não nos interessa apenas as belezas naturais e históricas dos países que visitamos. Interessa conhecer seu povo, seu meio ambiente, o suporte que dão aos turistas, sua infraestrutura, seus pontos turísticos. Enfim, o mais possível, conhecer cada um na sua inteireza. Assim, temos coisas positivas e negativas acerca desses países que constatamos nesses trinta dias de viagem. Começaremos pelos negativos para encerrarmos a postagem em alto astral, pelas coisas belíssimas e emoções fortes que tivemos.
Pontos negativos: Antes de visitarmos a Escandinávia havíamos ouvido e lido acerca dos quatro países que a formam, todas positivas no sentido de que tinham o IDH dentre os mais altos do mundo, sua preocupação com o meio-ambiente, que eram povos mais avançados e especiais que o restante da Europa e assim por diante. Saímos daqui, todavia, com certeza de que essas verdades merecem alguns reparos.

Exceção feita à Finlândia os povos das grandes cidades da Suécia, Dinamarca e da Noruega se mostraram primitivos no quesito limpeza urbana e educação e, via de consequência,  preocupação ambiental. Como fumam muito, as ruas das cidades são forradas de restos de cigarros que eles jogam no chão sem qualquer cerimônia ou sem ficar enrusbecido. O mesmo acontece com copos, garrafas plásticas e papel que testemunhamos sendo jogados na rua, na nossa frente e de carros, na estrada. E não pensem que eram imigrantes. Era gente loira e de olhos azuis. A consequência disso pode ser vista nos lagos, rios e mar.
No tocante ao apoio ao turista, os quatro países perdem feio para os demais países da Europa que visitamos. Raras vezes, especialmente nos pontos turísticos do interior, vimos informações em outra língua que não a incompreensível deles. Quando íamos estacionar o carro, não sabíamos quanto era o estacionamento, até que hora era pago e como fazer pagamento. Quando havia gente por perto, perguntávamos. Quando não, em duas oportunidades pagamos sem haver necessidade.
Coisa rara, também, placas indicando em que direção estavam os principais pontos turísticos das cidades. Tínhamos que nos socorrer dos mapas para encontrá-los.
Mês de junho é um mês de vários feriados nos quatro países, religiosos e oficiais. Nesses dias, o turista que se exploda. Fecha tudo, inclusive restaurantes (só uns poucos ficam abertos), museus, centro de informações turísticas, etc. Nenhum plantão, nem informações em inglês, nos dias anteriores, de que haverá o fechamento. Cansamos de ver pessoas chegando, como nós, a pontos turísticos fechados à visitação e dar com as portas fechadas sem lá estar o motivo do fechamento. Neste particular, de salientar-se que eles, mesmo tendo dias muito longos ou, de uma altura para cima, só dia, os horários de fechamento dos museus e pontos turísticos continua o mesmo de inverno, 16 ou 17h, apesar do sol alto. Até parece que a indústria do turismo não é relevante para a economia deles, apesar de sabermos que é.
Quanto às estradas, viajar de carro na Escandinávia, especialmente Suécia e Noruega é para turistas experientes ou apenas para trechos curtos. Raríssimas são as estradas duplicadas e as simples, todas sem acostamento e com pouquíssimos pontos de ultrapassagem. As velocidades são limitadíssimas e com uma profusão de radares intimidadores. 50, 70 ou 90 km/h, no mais das vezes e os motoristas daqui viajam a 10 ou 20 kms menos que esses limites. É de dar sono. Além disso, são os piores motoristas que já vimos. Detestam ser ultrapassados e por várias vezes fomos fechados por eles quando isso procedíamos. Ademais, têm o péssimo costume de pisar no freio quando iniciávamos a manobra, exigindo cuidado redobrado para não bater na traseira deles. Quando vão sair da estrada, todo o cuidado é pouco. Param literalmente em cima da pista, para só depois, muito lentamente, adentrar na secundária, apesar de visibilidade e espaços de sobra para entrar diretamente. Os que transitam na rodovia que parem também.
Na Noruega, a sinalização horizontal de trânsito é só deles, diferente do resto do mundo. Só há faixas intercaladas. Nenhuma contínua. Além disso, tem três tamanhos diferentes, mas muito parecidos, dessas faixas intercaladas. Você não sabe quando pode ou não ultrapassar. A faixa intermediária, não descobrimos até agora para que serve já que presumimos que na maior é proibido ultrapassar e na menor, permitido. Nesse quadro tivemos que assumir alguns riscos em termos de velocidade para chegarmos aonde chegamos, sem, no entanto, em momento algum comprometer a segurança.

Por fim, no que toca à fama de países caros, ela corresponde e com louvor. Tudo é muito, mas muito mais caros do que os similares no resto da Europa. Hotéis, comida, gasolina, tickets, estacionamento, tudo com preços bem acima daqueles estabelecidos em Euro e, até mesmo, em libra.
Outra dificuldade que encontramos foi a diversidade de moedas nos países visitados, exceção feita à Finlândia, que já adotou o Euro. É coroa daqui, coroa dali, com conversão diferente para cada uma delas, dificultando, sobremaneira, a circulação entre esses países, sem contar o risco de ficar com saldo de moedas que não servem para mais nada. A dica é, no último, desovar tudo no hotel, no restaurante ou no posto de combustível.

Pontos positivos: Como dissemos, terminaríamos com os pontos positivos da viagem, mesmo porque, superaram, em muito aqueles negativos que acabamos de relatar. Em primeiro lugar o povo. Fomos muito bem tratados nos quatro países. Sempre que precisamos de algo e pedimos, fomos simpaticamente atendidos e, mesmo quando estávamos apenas consultando um mapa, alguém se acercava perguntando se precisávamos de ajuda. A recepção que tivemos em Gol, na Noruega, do Guttorm e da Äse, é um exemplo de como fomos bem tratados aqui. De se destacar, também, o alto nível de qualidade de vida destes povos, saltando aos olhos um socialismo de sucesso, onde, na média, todos têm um nível de vida digno e confortável.
Em segundo lugar, a natureza única e espetacular que encontramos aqui. Os fiordes da Noruega, a cobertura vegetal abundante em todos os países, suas ilhas, sua relação com os mares que os rodeiam, onde construíram castelos e curtem intensamente o verão, fez com que sempre viajássemos em ambientes agradáveis e belos e tivéssemos uma mostra de como, respeitando a natureza, eles atraem mais e mais turistas para os seus países.
Todos os países têm uma história rica, bem preservada e com culto permanente às suas tradições. Eles se orgulham muito do seu passado e fazem questão de mostrá-lo e preservá-lo. Museus, castelos, parques temáticos com reprodução da vida, atividade e residência de seus ancestrais, são mostra desse respeito e reverência às suas raízes.
A suas rodovias, apesar da ressalva feita anteriormente, sempre em ótimas condições de conservação e que permitem um acesso seguro a todos os destinos programados.

A fauna, a flora e os fenômenos naturais ímpares e as grandes obras de engenharia são imperdíveis. O círculo polar ártico, o sol da meia-noite e de toda a madrugada, a Lapônia e os sonhos do Papai Noel que representa, os mares internos e externos, as grandes pontes mar adentro, como as que ligam as duas partes de Dinamarca, esta com a Suécia e esta com a Ilha de Öland e a rodovia do Atlântico, são impactantes. As paisagens dos vales e dos fiordes entre Forde e Alesund e as paisagens entre Trondheim e Tromso, são tão exuberantes que somente as percorrendo, para ser ter a noção da beleza concentrada ali.
Quatro capitais, cada uma com suas peculiaridades, suas características e sua beleza. Em nosso pessoal julgamento, considerando todos os aspectos que um turista deseja de uma cidade, as classificaríamos na seguinte ordem: Estocolmo, Helsinque, Oslo e Copenhagen. As cidades do interior, todas muito bem cuidadas e organizadas e muito prazeirosas para se visitar, exalando uma qualidade de vida impressionante.

Nos emocionamos intensamente com muita coisa nesta viagem. É uma viagem marcante nas nossas vidas. Sermos recebidos na intimidade de uma família norueguesa e viver a intensidade do sol da meia-noite, são exemplos disso. Isso tudo, porém, foi exaustivamente descrito em cada postagem diária que fizemos e é desnecessário repetir aqui nos pontos positivos da viagem.

Este blog, produzido por nós com muito prazer, foi fator de diversão e deleite pela companhia, comentários, habilitação como seguidor oficial, fez com que nossa viagem tenha se tornado mais completa e prazeirosa. No mês, foram 1845 acessos, sendo 1560 do Brasil, 67 da Finlândia, 44 da Noruega, 37 do EUA, 27 da Dinamarca, 10 de Portugal, 9 da Alemanha e 7 da Rússia, dando noção da responsabilidade  que trouxemos para nós, com a criação do blog. É um prazer, todavia.
Homenageando o Nelson Mendes, nosso mais frequente e quase diário comentarista, homenageamos e agradecemos todos aqueles que acessaram e comentaram, aqueles que se habilitaram como seguidores oficiais e todos aqueles que apenas acessaram e, de alguma forma, curtiram e viajaram conosco. Todos vocês fizeram nossa viagem muito melhor e multiplicaram cada emoção que tivemos. Obrigado, de coração.
A próxima viagem será em setembro, pela maior parte da França, especialmente mais ao sul de Paris e pela parte da Espanha que ainda não conhecemos, bem próxima dos Pirineus. Desde já todos estão convidados para acompanhá-la aqui. Em meados de agosto, porém, já terão um aperitivo quando o aniversário da blogueira será comemorado no tido hoje, como o melhor hotel do Brasil, o Saint Andrews, há pouco inaugurado em Gramado. As impressões do lugar estarão aqui.
Um grande beijo e, mais uma vez, obrigado pela gostosa companhia de todos nesta maravilhosa viagem. Narcísio e Dirlei.

6 comentários:

  1. Caros Amigos Desbravadores ,
    já dizia o grande filósofo americano Ralph W Emerson :"Onde quer que o homem vá , verá somente a beleza que levar em seu coração".
    Sua viagem comprova esta frase , pois vocês tornaram um prazer e uma alegria acompanhá-los , já que a cada instante viam e transmitiam beleza nas paisagens refletindo beleza nos seus corações .
    Comovido agradeço a honra de haver sido escolhido para homenagear a todos os seus inúmeros seguidores .
    Feliz regresso à terra natal !
    Abraços do
    Nelson .

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  2. Adoráveis viajantes

    Foi muito prazeroso acompanhá-los nesta impecável aventura!
    Tenham um excelente retorno ao aconchego do lar, parte igualmente importante da viagem ;-)

    Abraços

    Maria Amélia

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  3. Caros amigos,

    Já estou na expectativa da próxima viagem. Foi muito bom poder acompanhar cada passo dessa maravilhosa experiência que vocês generosamente dividiram conosco.

    Tenham uma boa viagem de volta!

    Abraços,

    Fábio Lyrio

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  4. Queridos Narcísio e Dirlei
    Para mim é realmente decepcionante saber que os nórdicos são tão pouco preocupados com meio ambiente e limpeza urbana. Eu imaginada que qualidade de vida tivesse relação direta com educação e consciência ambiental, e vive-versa, o que parece não ser bem verdade nos países nórdicos.
    Bom retorno.
    Grande abraço, do Zucco.

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  5. Caríssimos,
    Mesmo também em viagem, depois do evento do esquecimento do carregador, também os acompanhei muito de perto, ainda que não diariamente. Foi um prazer essa carona virtual, como sempre. Grande abraço e bom retorno.
    Paulo

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  6. achei seu blog fantastico, sua maneira de escrever muito clara, direta, pretendemos eu em minha mulher viajar de carro , grã bretanha, scandinávia e quem sabe até a russia, e estamos aproveitando as dicas aqui dadas, e desde já agradecendo antecipadamente.

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